Pular para o conteúdo

drawdown day trade · 7 min de leitura

Drawdown no day trade: como medir a queda da conta

Por Romário Gomes · 6 de novembro de 2026

O drawdown day trade é a queda da sua conta medida a partir do ponto mais alto que ela já alcançou. Não é o prejuízo do dia nem o saldo negativo do mês: é a distância entre o topo histórico e onde você está agora.

É o número que mais diz sobre a saúde de uma operação, e também o que mais some de vista, porque o lucro acumulado é mais agradável de olhar.

Como calcular

A conta é simples. Guarde o maior saldo que a conta já teve. Compare com o saldo atual. A diferença, dividida pelo topo, é o drawdown em porcentagem.

Num exemplo hipotético: a conta chegou a R$ 12.000, caiu para R$ 9.600. A queda é de R$ 2.400, que sobre R$ 12.000 dá 20%. Esse é o drawdown atual.

Há duas variações úteis. O drawdown máximo é a maior queda já registrada desde qualquer topo — ele responde "qual foi o pior momento que eu já atravessei". O drawdown atual é a queda a partir do topo vigente, e responde "o quanto eu estou abaixo do meu melhor momento agora".

O primeiro serve para dimensionar: se a sua pior queda histórica foi de 30%, o seu plano precisa ser capaz de suportar 30% sem que você mude de ideia no meio. O segundo serve para situar: quanto falta para recuperar o que já foi conquistado.

Saldo de uma conta ao longo de seis meses (exemplo hipotético)

  1. Mês 110000 reais
  2. Mês 211200 reais
  3. Mês 312000 reais
  4. Mês 410400 reais
  5. Mês 59600 reais
  6. Mês 610300 reais
Figura 1 Exemplo hipotético. O topo foi 12.000 no mês 3; o fundo, 9.600 no mês 5 — um drawdown de 20%.

A curva mostra o que a média esconde. Alguém olhando só o começo e o fim desse período veria a conta sair de R$ 10.000 e chegar a R$ 10.300 — uma alta modesta, aparentemente tranquila. O caminho foi outro: um topo em R$ 12.000 e uma queda de 20% depois dele.

Essa diferença entre o caminho e o resultado é exatamente o que o drawdown captura. Duas contas podem terminar o semestre no mesmo lugar tendo atravessado experiências completamente distintas — e a que atravessou a queda maior correu risco maior, mesmo com o mesmo resultado final.

Vale notar também quando o drawdown começa: no mês 3, no topo, quando tudo parecia estar funcionando. Topos são, por definição, o momento de maior confiança. É aí que o tamanho da mão costuma aumentar, e é isso que transforma uma queda normal numa queda difícil de recuperar.

Um prumo de latão suspenso sobre madeira, com uma marca riscada acima da ponta
Figura 2 O drawdown se mede contra a marca mais alta, não contra o ponto de partida.

A assimetria que quase ninguém calcula

Recuperar uma queda exige uma alta maior do que a queda. Não é intuitivo, mas é aritmética direta: a queda é calculada sobre o valor cheio, e a recuperação sobre o valor reduzido.

QuedaAlta necessária para voltar ao topo
10%11,1%
20%25,0%
30%42,9%
50%100,0%

No exemplo hipotético acima, a conta caiu 20% — de R$ 12.000 para R$ 9.600. Para voltar aos R$ 12.000 ela precisa subir R$ 2.400 sobre R$ 9.600, o que é 25%.

A assimetria cresce rápido. Uma queda de 50% exige dobrar a conta só para empatar. É por isso que limitar a profundidade da queda vale mais do que aumentar o ganho: evitar uma queda de 30% poupa a necessidade de uma alta de 43% que talvez nunca venha.

O que o drawdown tem a ver com tamanho de posição

Tudo. A profundidade da queda é consequência direta de quanto se arrisca por operação e de quantas perdas seguidas acontecem — e perdas seguidas são normais, com tamanho previsível pela taxa de acerto.

É por isso que o limite de perda do dia e o tamanho de posição são definidos antes, a partir do capital. Eles são, na prática, o controle do drawdown: limitam quanto um pregão ruim pode tirar e quanto uma sequência ruim pode acumular.

A calculadora de limite de perda define quanto um dia pode custar, e a de tamanho de posição mostra quantos contratos esse limite sustenta por operação.

Vale lembrar o que a pesquisa brasileira encontrou: 97% de quem insistiu no day trade de mini índice por mais de 300 pregões perdeu dinheiro, segundo Chague, De-Losso e Giovannetti (FGV e USP), em "Day Trading for a Living?", de 2019, com dados de pessoas físicas na B3 entre 2013 e 2015. O estudo não detalha trajetória de conta. Mas a assimetria da recuperação vale para qualquer um, e ela é o que torna uma queda profunda difícil de desfazer.

Perguntas frequentes

Qual drawdown é aceitável?

Não existe um número universal. O que existe é um número que você consegue atravessar sem mudar o plano no meio — e esse limite é pessoal, definido antes, quando a conta está no topo e não na queda.

Drawdown e prejuízo são a mesma coisa?

Não. Prejuízo é resultado negativo num período. Drawdown é distância até o topo histórico, e pode existir mesmo numa conta que acumula lucro desde o início.

Como acompanhar o drawdown sem planilha?

A partir do histórico de operações importado. O sistema guarda o extrato de capital e mostra a evolução do saldo, incluindo aportes e retiradas, que também deslocam o topo.

Aporte novo zera o drawdown?

Não deveria. Dinheiro novo aumenta o saldo sem recuperar nada do que foi perdido; tratar o aporte como recuperação esconde a queda em vez de desfazê-la.

Se quiser acompanhar a queda da sua conta medida contra o topo, com o tamanho de posição que a limita, crie a sua conta e faça o teste de 7 dias, sem cartão.

Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Resultados passados não garantem resultados futuros.

Calculadora grátisDefina quanto um dia ruim pode custar →
Foto de Romário Gomes

Romário Gomes

Romário Gomes criou o Diário Day Trader, o diário de trader que calcula o plano de risco e confere, pregão a pregão, se ele foi seguido.

Todos os artigos

Ler sobre consistência é o começo. Medir é o que muda o pregão.

O Diário Day Trader calcula o seu plano de risco e confere cada pregão contra ele, num índice de consistência de 0 a 100. Importa o relatório do Profit em segundos.

Curso grátis por e-mail

7 pregões de consistência

Sete e-mails curtos, um por dia: uma regra de risco, um número e uma coisa para fazer no pregão seguinte. Sem sinais, sem promessa de ganho. Sai quando quiser, com um clique.